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Diretamente de Paris

A INFLUÊNCIA DA MODA NO CINEMA

Andrea Furco
Paris, 05/07/2019

Quem exerce maior influência: a moda sobre o cinema ou o cinema sobre a moda? Pergunta difícil de ser respondida, a verdade é que a moda é uma grande referência para o cinema, assim como o caminho inverso, visto que eles possuem um elo em comum: ambos são grandes vendedores de sonhos.

Com isso, os dois segmentos acabaram por estabelecer uma relação importante, pois, sem a moda, o cinema não seria capaz de construir e desenvolver narrativas tão ricas e cheias de detalhes tendo como viés os figurinos. E a moda não teria como aliado um grande propagador de suas criações, lançando tendências também nas passarelas e nas ruas.

Assim, com o passar do tempo, com as mudanças comportamentais e sociais, o cinema deixou de ser apenas uma referência fashion para se tornar uma grande indústria vendedora de moda em todo o mundo, se colocando na posição de vitrine para as grandes marcas, em que figurinos dos mais variados personagens se tornaram itens de desejo e até sonho de consumo em termos de estilo de vida.

Entre um dos mais famosos exemplos desse trabalho construído em total sinergia do cinema com os grandes designers e casas de moda pode ser visto no clássico “Bonequinha de Luxo” (Breakfast at Tiffany’s), em que a personagem interpretada por Audrey Hepburn está usando um vestido Givenchy – dando notoriedade ao modelo “pretinho básico” – ,  olhando a vitrine da Tiffany´s & CO. enquanto toma seu café da manhã. ​ Ou seja, com a moda aliada ao cinema é possível criar a identidade de um personagem, pontuar a data de um acontecimento e, até mesmo, ressaltar o humor – ou a falta dele – retratado em cena: tudo isso por meio da indumentária certa.

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Les Enfants Terribles por Christian Dior

Dentre as peças desenvolvidas para o filme, as que mais chamaram a atenção foram os roupões que, até então, eram tidos como roupas de ficar em casa – simples e sem muito acabamento. Pelos olhos do estilista, o item foi transformado em objetivo de desejo para manter a elegância e a sofisticação mesmo dentro de casa.

Barbarella por Paco Rabanne

Símbolo feminista e da libertação da mulher, a responsabilidade de empoderar a personagem de Jane Fonda ficou por conta do designer de moda Paco Rabanne, referência da moda futurista de 1960, com a criação de bodies transparentes, conjuntinhos de tops e shorts de cintura alta.

Andy Warhol

Considerado o principal articulador e propagador da pop art, Andy Warhol construiu uma história entre a moda, o cinema e as artes plásticas. A grande repercussão da sua carreira se deu por conta da sua pintura para retratar os rótulos da sopa Campbell, que inspirou o famoso vestido “Campbell” feito em papel como forma de propaganda para a própria empresa de sopa.

Gigolô Americano por ​Giorgio Armani

Na época em que o filme foi gravado, Giorgio Armani ainda não era uma marca global como hoje, no entanto, o figurino teve bastante influência no sucesso do estilo proposto pelo estilista fora da Itália, mostrando o poder por de trás da composição de um look masculino.

O Ano Passado em Marienbad ​por Coco Chanel

Depois de ter produzido para os filmes Esta Noite ou Nunca e O Homem de Outro Mundo, Coco Chanel voltou às telonas no clássico preto e branco de Alain Resnais, em que criou vestidos texturizados, apostando também nas camadas de tecidos para ressaltar as peças frente às cenas gravadas sem cor.

A Pele que Habito por Jean Paul Gaultier

Depois de polemizar criações usadas pela cantora Madonna e de trabalhar no filme O Quinto Elemento, Jean Paul Gaultier foi convidado por Pedro Almodóvar para dar vida e desenvolver os bodies usados pela personagem de Elena Anaya e as vestimentas de Marisa Paredes no drama psicológico, brincando sabiamente com criações entre o feminino e o masculino.

A Bela do Dia por Yves Saint Laurent

Queridinho da moda, Yves Saint Laurent teve como desafio criar um figurino que pudesse retratar a vida de uma dona de casa insatisfeita com a vida e em busca de dar vazão aos seus desejos. Para isso, o estilista criou toda uma atmosfera em volta de vestidos curtos, shapes amplos, casacos e acessórios elegantes que contrapõem às lingeries de renda usadas pela personagem de Catherine Deneuve.

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Bisous,

 Andrea Furco